As demências são doenças que afetam o cérebro, causando perda gradual da memória, do raciocínio, da linguagem, do comportamento e da autonomia. Muitas pessoas pensam que existe apenas o Alzheimer, mas na verdade existem vários tipos de demência, cada uma com características diferentes.
A mais conhecida é a Doença de Alzheimer, que começa geralmente com esquecimentos, dificuldade em aprender informações novas e desorientação. Com o avanço da doença, a pessoa pode deixar de reconhecer familiares, perder a capacidade de comunicar e necessitar de ajuda total.
Existe também a Demência Vascular causada por pequenos AVCs ou alterações na circulação sanguínea do cérebro. Pode provocar dificuldades de atenção, lentidão mental, alterações de humor e problemas de mobilidade.
A Demência com Corpos de Lewy mistura sintomas de demência com características semelhantes ao Parkinson, como tremores, rigidez e alucinações visuais muito frequentes.
Já a Demência Frontotemporal costuma atingir pessoas mais jovens e altera sobretudo a personalidade, o comportamento e a linguagem. Muitas vezes a família nota primeiro mudanças emocionais e sociais antes dos esquecimentos.
Outra forma menos falada, mas muito importante, é a demência causada pelo consumo excessivo de álcool. O abuso prolongado do álcool pode danificar o cérebro, provocar défice de vitamina B1 e levar a dificuldades graves de memória, confusão mental, alterações de comportamento e perda de autonomia. Em alguns casos surge a chamada Síndrome de Werncike-Korsakoff, considerada uma forma de demência associada ao alcoolismo crónico e também a uma má nutrição grave, por dietas ruins, problemas de estômago ou cirurgias de redução do estômago.
A Sìndrome de Korsakoff é uma perturbação neurocognitiva grave, embora possa apresentar características semelhantes às de uma demência, nomeadamente défices importantes de memória e aprendizagem, não é uma demência neurodegenerativa como a doença de Alzheimer. Em alguns contextos é designada por “Demência de Korsakoff” devido ao carácter persistente dos défices cognitivos.
Esta demência associada ao consumo excessivo de álcool é uma condição séria e muitas vezes pouco compreendida. O álcool, quando consumido durante muitos anos em grandes quantidades, pode provocar danos permanentes no cérebro, afetando a memória ,o raciocínio, o comportamento e a capacidade da pessoa cuidar de si própria.
Muitas pessoas acreditam que álcool prejudica apenas o fígado, mas o cérebro também sofre bastante.
Esta Síndrome pode começar com sintomas como:
- Confusão mental
- Dificuldades de equilíbrio
- Olhar perdido ou movimentos anormais dos olhos
- Esquecimentos frequentes
- Dificuldades em aprender informações novas
- O cérebro inventa histórias sem intenção de mentir para preencher os vazios da memória.
Além da memória, comportamento também muda. Algumas pessoas tornam-se mais irritadas, impulsivas, desconfiadas ou emocionalmente instáveis. Outras perdem iniciativa, higiene pessoal e capacidade de organização.
Diferente de algumas demências neurodegenerativas, a demência alcoólica pode estabilizar ou melhorar parcialmente se o consumo de álcool for interrompido cedo e houver tratamento adequado, alimentação correta e suplementação vitamínica. Porém, quando os danos já são extensos, parte das alterações pode tornar-se permanente.
Por isso, o alcoolismo não deve ser visto apenas como um vício ou falta de força vontade. Em muitos casos, trata-se de uma doença que acaba por afetar profundamente o cérebro, a personalidade e a autonomia da pessoa.
E o que a vitamina B1 tem a ver com o cérebro?
A tiamina é essencial para o cérebro transformar a glicose em energia. O cérebro depende muito desse processo.
Quando há uma deficiência importante de B1, algumas áreas cerebrais ficam particularmente vulneráveis, sobretudo envolvidas na memória e orientação.
E como a má nutrição pode causar deficiência de B1?
Não é preciso a pessoa estar extremamente magra. Pode acontecer quando a alimentação é muito reduzida durante semanas ou meses, falta de apetite prolongada, dietas muito restritivas, consumo crónico de álcool, vómitos persistentes e problemas de absorção intestinal.
Quanto mais cedo corrigir a deficiência nutricional, melhor.
Quais as fontes de vitamina B1?
Carne de porco, sementes de girassol, sementes de sésamo, amendoins, feijão, lentilhas, grão de bico, aveia, pão e cereais integrais, frutos secos e peixe.


